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quinta-feira, outubro 07, 2010

Jornadas Europeias do Património Parte II



Na segunda fase das jornadas do património, optámos por algo mais fora do comum e deslocámo-nos até ao Hospital Miguel Bombarda. Para quem não sabe, este é um hospital psiquiátrico.
Apanhámos a visita em andamento, quando a guia já estava a aproximar-se dos balneários D. Maria II com o grupo. Os balneários estão em estado de degradação mas dava para perceber como teriam sido em tempos mais áureos.
Parte do problema será facto do hospital estar em processo de encerramento e, assim, a preocupação de preservar que já não costuma ser muita, ser aqui mesmo muito pouca.




A segunda parte da visita é ao pavilhão de segurança. Aqui ficavam os doentes mais perigosos e os criminosos com problemas mentais.
É um edifício único, um panóptico, redondo e com visibilidade total por parte dos guardas. O segundo guia disse logo de abertura que estava cansado e que lêssemos o folheto. Apenas explicou algumas características arquitectónicas do espaço e o facto de não conhecer edifício equivalente no mundo.
A foto não dá bem para perceber o espaço, mas apenas uma foto aérea lhe faria justiça. Essas fotos estão na net, é questão de procurarem no google.







Este é o exemplo de uma cela. Por esta altura, o guia começou a dizer que preferia que não se tirassem fotos, porque as pessoas as descontextualizam.
Ainda estive para não colocar aqui nenhuma foto, mas achei que isso seria a pior descontextualização que faria.
Acho que todos sabemos que nem sempre os doentes mentais foram tratados com humanidade. Nada aqui indicava o tratamento incorrecto dos doentes.
Além disso, este pavilhão é agora um museu e não faz o serviço para que foi destinado.


Esta é a sala de reuniões, um pouco mais ampla que as que a ladeiam.
Esta foto já foi tirada depois do aviso, mas tendo em conta que encontrei na net um blog pejadinho de fotos do pavilhão, uma das quais do guia todo sorridente, se vocês quisessem até poderiam encontrar reportagens mais abrangentes que a minha. É fazer a busca por hospital de Rilhafoles.


Além das celas propriamente ditas, também havia material médico, objectos e arte dos doentes em exposição. Nada de chocante ou passível de ser descontextualizado, devo acrescentar, à luz que não ter fotos de tudo para mostrar.
Também é possível visitar a gabinete do Dr. Miguel Bombarda, onde foi assassinado em vésperas da instauração da República.
É possível visitar todo o ano e recomenda-se a quem se interesse por medicina e arquitectura. Eu aproveitaria para ir lá rapidamente, uma vez que o hospital será desactivado mais tarde ou mais cedo e poderá não se ter o cuidado de preservar os edifícios.

terça-feira, setembro 28, 2010

Jornadas Europeias do Património Parte I






Ora a vossa escriba procurou aproveitar as jornadas, apesar do excesso de oferta desse fim-de-semana.
Dado o adiantado da hora, acabou por ser escolhido o núcleo arqueológico da Rua dos Correeiro, que inclui uma amostra sobre Sardinha Romana e Ossos que contam histórias.
A entrada pela Rua Augusta tem estas réplicas de ânforas à porta. Não dando com elas, é procurar o maior Millenium da rua e é lá.








Qual não foi o espanto do Millenium quando, ao escavar a cave para fazer umas caixas-fortes, deu com um sem número de camadas de diferentes épocas, todas de elevado valor histórico? É o que dá escavar na Baixa, é o que eu digo.
Este era, até recentemente, o mais completo mosaico romano colorido de Lisboa. Mas disse a guia que, entretanto, já se encontraram outros.






Estes são os vestígios mais antigos, datados da Idade do Ferro. Vêem-se bem a delimitações das casas e o buraquinho ao centro, que era o aquecimento central. A piada não é minha, mas da guia.


Na época Romana, este local era uma fábrica de molho de sardinha, conhecido na época por Garum, muito apreciado pelos Romanos. Alguns tanques estão à mostra como este aqui.
O molho passava por diferentes fases e seguia, depois, para distribuição por todo o Império Romano. Era uma espécie de mini-globalização.
A estes vestígios juntam-se outros, pré e pós-terramoto. E até têm uns ossitos como bónus numa das câmaras mais perto do fim, parecendo indiciar um possível cemitério (não escavaram mais, por isso, não sabem).
O meu veredicto é: muito interessante. Não só o local é extremamente engraçado de visitar, como a guia percebia o que estava a fazer. Tem é de se ter cuidado com a cabeça, acreditem, eu sei do que faço.



Para acabar em beleza, sugere-se um bar medieval da Rua de S. Julião, chamado Trobadores.
Não é um conceito hard-core como o saudoso De Olde Hansa em Tallin (vd. fotos da cagadeira medieval). Como sabemos? Porque temos uma lata de Coca-cola e um copo de Guinness, em vez de duas barriquinhas de Coca-colus e Guinessus ;)
Mas não sendo fundamantalista, é agradável.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Projecto Cultural #5 - Noite Longa dos Museus



Este post já devia ter sido feito há um tempinho, mas só agora me deu para isto.
A noite longa foi em duas quintas-feiras de Agosto, nós estivemos na segunda. Até fins de Setembro, alguns museus continuarão a ter animação às quintas à noite. Podem consultar a programação aqui: http://www.imc-ip.pt/pt-PT/noite_museus/noites_programacao/HighlightList.aspx
Começámos e acabámos pelo museu dos coches, onde assistimos a duas visitas guiadas muito informativas. A primeira foi aos veículos em geral da colecção, a segunda ao veículo do regicídio, que costuma estar em Vila Viçosa, mas agora está cá.
Confirma-se que as visitas guiadas acrescentam muito à experiência da visita do museu, sobretudo quando os guias sabem do que falam, o que era o caso.




Já aqui se tornou evidente uma certa falta de organização. No site, não se falava em marcações para visita guiada, e no local exigiam-na. Resultado, das duas visitas guiadas que queríamos assistir, nem uma conseguimos. Particularmente, as antiguidades egípcias estavam ao rubro e não houve maneira de sequer entrar na sala. Era desnecessária esta confusão toda.
Lá terei de regressar aqui este mês, para ver uma exposição especial de ícones romenos e espero visitar as minhas amiguitas múmias nessa altura.




A vossa escriba andava a afiar o dente para visitar este há muito tempo, uma vez que esteve fechado durante anos. Mais uma vez, uma certa falta de organização. Aqui esqueceram-se de avisar que a colecção não estaria em exposição e que a visita seria apenas ao edifício. Mas o edifício vale a pena.
Que museu com tanta potencialidade para o kitsch. Aparentemente, abre ao público com a colecção ainda este ano. Estou a contar ir.


E finalizámos com uma visita aos claustros do mosteiro dos Jerónimos. A igreja estava fechada, mas essa é bem conhecida.
Numa sala dos claustros, existe uma linha temporal gigante com história do mundo, de Portugal e do mosteiro. Tremendamente interessante.
Ficaram por ver os paços do concelho, visita que teria sido certamente interessante. Mas esperamos que a iniciativa se repita no futuro.

segunda-feira, julho 12, 2010

Projecto Cultural #4 - Museu Gulbenkian


Ora, a etapa do projecto cultural de Junho foi o museu Calouste Gulbenkian.
Não há como falhar a entrada, basta procurar o mini-lago dos patos e o monte de entulho.
A colecção é bastante variada.



Temos um relevo assírio, do qual eu não me recordava de visitas anteriores.
Não falta obviamente uma secção Egípcia, greco-romana, muçulmana e chinesa/japonesa.




A colecção não é constituída apenas de peças de outros continentes.
Museu que se preze, tem de ter uma Vénus ou Diana desnuda. E cá esta ela, acompanhada do meu pé desnudo.


A encerrar a visita, a colecção de pintura europeia. Tenho uma vaga ideia que este é um Renoir, sendo apenas um dos grandes mestres aqui presentes.
É uma colecção compacta e variada. Situa-se num dos espaços verdes mais bonitos da capital. Está perto no Pano de Boca para uma boa refeição. E é grátis aos domingos até às 14h.
É uma excelente opção cultural para o fim-de-semana.

segunda-feira, maio 24, 2010

Projecto Cultural #3 - Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves



Este museu não fazia parte da lista original, mas dado o adiantado do mês, a localização, o facto de ter programa na noite longa dos museus, ditou a sua visita.
Ora esta pequena gema situa-se no Saldanha e tem uma pequena colecção, muito interessante.





O cavalheiro que dá o nome à casa era um famoso oftalmologista, que privava com Calouste Gulbenkian e que reuniu uma interessante colecção de arte, louça e mobília.
Esta era a peça de colecção que não me importava nada de levar para casa. Adoro escrivaninhas e esta peça inglesa caiu-me no goto.
O edifício em si, Casa Malhoa, é uma preciosidade, cheia de recantos. Como a visita acabou por ser encurtada dado o adiantado da hora, terei de voltar.

Tenho ideia que fotografei mais quadros, mas o bicho papão deve ter comido as fotos. Este pintor é francês, amigo e percursor dos impressionistas. Mal me relembre do nome, logo esclareço aqui.
A colecção tem alguns pintores mais famosos, alguns estrangeiros, mas sobretudo portugueses (Silva Porto tem várias telas). Neste momento, está em exibição uma exposição temporária, que inclui um quadro que se atribui a Courbet, um preferido da vossa escriba (o senhor do quadro da vagina que causou celeuma em Braga).
É bem localizado e proporciona um bom programa de Domingo, toca a ir visitar.

segunda-feira, abril 19, 2010

Projecto Cultural #2 - Museu Arqueológico do Carmo



Ora a visita escolhida para fim-de-semana da Páscoa foi o Museu Arqueológico do Carmo.
Esta etapa não tem apontamento gastronómico, mas a escolha é infindável no Chiado. E à porta do museu, existe uma casa de chá, com excelentes scones.






Ora o Museu Arqueológico tem uma vasta zona ao ar livre, por isso, evitem visitá-lo quando chove, ao contrário do que eu fiz.
Ora aqui está o meu pézito para provar que estive, de facto, no local. A minha mãe recusou-se a imortalizar o seu pézito, diz que aqui no blog só mostra as mãos.




Do lado de fora, têm sobretudo lápides, das mais variadas origens. Esta é a lápide de um rabi e está escrita em hebraico.
Verão muitas gárgulas, um poço e uma pia baptismal. Os itens estão todos devidamente identificados.


A parte interior é a mais pequena. A maior curiosidade será o túmulo originário do Condestável, o responsável pela construção do edifício.
Existem outros túmulos, uma secção dedicada à influência árabe e uma sala com três múmias, duas peruanas e uma egípcia. É uma colecção pequena, mas não nos podemos queixar da falta de variedade.





Havia uma lápide que andei especificamente à procura (sim, eu leio atentamente os papelinhos que dão nos museus). Alguém deu o nome de Maria Leitoa a uma pobre alminha de tempos passados. Fica a minha solidariedade pela pobre senhora.

O museu tem uma excelente vista sobre Lisboa, sobretudo da área da loja. É pequeno e visita-se sem cansaço. A colecção é muito variada. O preço da entrada é acessível. Tem múmias.
Será preciso mais argumentos para ir visitá-lo?

quinta-feira, março 18, 2010

Projecto Cultural 2010 #1 - Museu da Cidade

A primeira paragem do anunciado projecto cultural para 2010 foi o museu da cidade (podem ter reparado pelas enormes letras aqui em cima).
Começámos por aqui por ser um dos que mais curiosidade me desperta e por causa da exposição temporária "Lisboa tem Histórias", que acaba para o fim deste mês.



Primeiro, convém forrar o estômago.
Paramos no Chili's em Telheiras, por ser geograficamente próximo do museu em causa.
A vossa escriba, grande amante de burgers, comeu um Honey Chipotle Blue Cheese Bacon Burger, que ameaçou rebentar-lhe com as artérias.


Já a Noiva Judia comeu um Mesquite Chicken Salad. Fiquei baralhada porque a salada não tinha "mesquites". Estarei a fazer confusão, Noiva?
Tinha ouvido críticas menos agradáveis a este restaurante, mas dentro do género, pareceu-me bom. Os pratos são bem servidos, o preço é justo para a quantidade e é bem localizado. Fiquei cheia de vontade de ir experimentar as Margaritas.



Convém imortalizar a pata no local para saberem que lá estivemos. Não convém quase provocar uma ruptura num músculo a puxar a pata para cima.
E agora, a sério, perguntam vocês, o que está em exposição no museu da cidade?
Ora bem, têm a história de Lisboa desde o tempo dos calhaus, obras de arte, gravuras, mobiliário, etc. Esta fotografia foi tirada na sala dedicada à instauração da República, que faz aninhos em 2010.
Gostei do facto das lápides da zona de exposição romana estarem traduzidas, o que nem sempre acontece em todos os museus.
Teria gostado mais se a sala do terramoto estivesse mais completa e bem explicada (isto é o sádico em mim a falar).


Por fim, não se pode evitar uma visita aos jardins, nomeadamente o jardim Bordallo Pinheiro, com as suas criaturas fantásticas. Podem tentar adivinhar o que é este objecto, se vos apetecer.
Daqui ainda fomos para o concerto na Fnac, parte da razão pela qual a vossa escriba está de rastos esta semana.

A visita recomenda-se, o museu é bijou e não demasiado exaustivo, os jardins são mimosos e é grátis todo o dia de domingo (por oposto aos outros, que apenas são grátis de manhã). Entre patilhar um centro comercial e este museu, a escolha é óbvia. E aqui não se corre o risco de esvaziar a carteira.

O projecto cultural continua dentro de momentos (que é como quem diz para o mês que vem).

Ainda a visitar:
Museu de Arqueologia do Carmo
Museu do Azulejo
Museu de Etnologia
Museu da Farmácia
Museu Militar
Museu do Oriente
Museu de S. Roque
Museu dos Coches
Museu do Traje

Já visitados:
Museu da Cidade