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segunda-feira, janeiro 14, 2008

E ainda me queixo de não me perceberem...



Bem, em música não me percebem mesmo, como se pode notar pelos poucos ou nenhuns comentários que os meus devaneios musicais merecem.
Uma alma caridosa, sabendo o quanto gosto do meu tio Vlad, mandou-me esta sugestão de saída cultural. Agradecimentos à Pequenos Nadas, que costuma acertar nos gostos da escriba, não sei se por ter nascido no mesmo dia e mês.
Eu lá estarei batida, com o pescoço devidamente protegido. Alguém se junta a mim?

PS- Para pormenores, cliquem no cartaz e ele aparece maiorzito.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Tanto Amor Desperdiçado


Finalmente, vejo uma peça de Shakespeare onde metade das personagens não morre na última cena. E em que não tenho de reaprender a andar no fim (hei-de fazer um post sobre salas apertadas e cadeiras desconfortáveis dos teatros deste país).

Comédia de enganos amorosos, em cena no Teatro D. Maria II até 28 de Outubro. Bilíngue (português e francês), conta as peripécias do Rei de Navarra e três jovens príncipes que fazem o juramento de se dedicar exclusivamente ao estudo durante três anos, renunciando aos prazeres da vida. Claro que o malvado destino encarrega-se de lhes trocar as voltas e fazer aparecer 4 jovens donzelas, por quem os moçoilos se apaixonam.

A história é interessante, o cenário e guarda-roupa criativos. Os actores estiveram todos bem e arrancaram algumas gargalhadas ao público. Mais uma peça em que o palco está mais baixo que as cadeiras das espectadores. Já assim tinha sido com o Hamlet no Teatro Maria Matos.

Recomendo a peça e aconselho a compra de bilhete para a sessão da terça-feira porque ficam a €8,00.

Veredicto: Bom

domingo, fevereiro 18, 2007

Vampiras Lésbicas de Sodoma (alerta linguagem imprópria)



Desta vez, não houve imprevistos que impedissem a realização do espectáculo.
Basicamente, é a história de duas vampiras rivais, originárias de Sodoma, que se alimentam do sangue de virgens. E a história vai-se desenrolando, também em Portugal.
É um espectáculo com transformismo, com linguagem imprópria para púdicos e cenas sexualmente sugestivas, mas tremendamente engraçado.
Aliás, só para ver o Simão Rubim vestido de sevilhana, já valeu a pena ter visto a peça.
Não é uma peça com tanta acção como “As Obras Completas de Shakespeare...”, tem alguns momentos mortos e não é tão espontânea, até porque não tem interecção com o público, que é sempre imprevisível. Mas para quem se sinta constrangido por ser abordado publicamente, esta é preferível.
Tivemos direito a uns acidentes ontem. Um dos actores, completamente equipado de aspirante a actriz, deslizou mais do que devia do palco e foi parar ao chão. Apesar disso, o espectáculo continuou, para ir cair mais uma vez umas cenas mais à frente. Não pareceu premeditado devido à reacção dos outros actores.
Deixo-vos um clip de 30 segundos para puderem apreciar a linguagem, mas ficam avisados que está ao nível das peixeiras da Ribeira. Quem se possa sentir incomodado com isso, não deve ver o clip. Também dá para terem uma ideia dos figurinos e look da peça.
Ouvi dizer que a K vai também postar qualquer sobre o assunto no Kruella, por isso, vão lá dar uma vista de olhos. O link está aqui à direita.
O site da companhia é www.companhiateatraldochiado.pt, lá também encontram um link para o blog do espectáculo.
Se não viram este ou “As Obras Completas de Shakespeare...”, ambos se recomendam.

PS: Sim, também houve direito a gelado Haagen Dazs.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Cancelado por motivos de inundação

Hoje iam ter aqui uma linda e interessante crítica à peça "Vampiras Lésbicas de Sodoma", mas não vai ser possível. O espectáculo de sábado foi cancelado por inundação no camarim e não haver outro espaço onde os actores pudessem vestir-se. O engraçado é que recebi um telefonema a avisar que não ia haver peça, o que não acontece todos os dias.
O motivo parece-me um pouco suspeito, considerando que não choveu. Sim, eu sei que pode ter rebentado um cano, mas cheira-me que a explicação será algum arrufo entre actores e não problemas de canalização (pelo menos, do teatro).
Ponto contra: não vi a peça que ando há mais tempo para ver.
Ponto a favor: o teatro fica na rua do Haagen Dazs e eu e os meus acompanhantes afogámos a desilusão numa grande taça de gelado (ou crepe).
Se motivos de força maior não o impedirem, lá estaremos a ver as vampiras daqui a quinze dias. Com protecção acrescida na zona do pescoço...

terça-feira, janeiro 30, 2007

Macbeto

Ora então, como se não bastasse o estado febril em que me encontrava na quarta-feira, ainda tinha bilhetes para o Macbeth no sábado. Como estava fora de questão perder o dinheiro dos bilhetes, lá me equipei para uma expedição no Ártico e pus pés a caminho.
A peça estava no teatro da Trindade, que é muito giro, mas tem uma séria falta de funcionalidade para os dias de hoje. Digamos que as pessoas com comprimento de pernas normal teriam de reaprender a andar se a peça não tivesse intervalo. As cadeiras estão muito juntas quer em largura, quer em comprimento. Pelo menos, ficámos aconchegadinhos (deu jeito para as cenas das bruxas).
Cenário e guarda-roupa irrepreensíveis. Kilts e botas de pêlo à discrição, o que ajuda ao feeling da coisa. Ajudaria se o Banquo/Duncan tivesse a barba comprida, os escoceses desse tempo teriam todos esse atributo.
As bruxas estavam interessantes, apesar do frio horroroso que se sentia sempre que entravam em cena. Era o nevoeiro, não se pode ter tudo. Tinham olhinhos vermelhos, o que fica bem às bruxas. Mas uma delas era um ele, o que me pareceu mal. Falta de gajas no elenco?
Os actores estavam todos bem, mesmo a Lady MacBeth (sorry, Black Cat) e a mocinha que fazia de filho do MacDuff (pelos vistos, há falta de adolescentes do sexo masculino no teatro).
O Bardo escreve bem, o que é vital para a coisa, tem de se lhe dar esse crédito e os actores estiveram à altura. Foi a primeira peça dele que vi, mas li o livro. Aliás, li a maioria das tragédias mais importantes. Comédias é que nem por isso, acho que só o Mercador.
Não é preciso contar a história, pois não? Na dúvida, cá vai. Voltava Macbeto vitorioso de uma batalha quando dá com três bruxas que lhe vaticinam grandes honras, a última das quais, que será Rei da Escócia. Pelo poder da sugestão, por as pessoas nunca quererem deixar o destino tratar das coisas sozinho e por, ainda assim, os homens darem demasiados ouvidos às mulheres mas só em assuntos que não deviam, o Macbeto começa a dar uma ajudinha ao destino para se tornar monarca. E as coisas começam a ir down hill a partir daí.
Estou a ficar velha porque apesar da peça ser interessante, começou a dar-me sono. Acho que foi a penumbra geral da peça, o estar doente e o facto da cadeira ser relativamente fofinha. Ainda assim, quem não quis ir ao Haagen Dasz para gelados a seguir, até foi a Black Cat. O que prova que, mesmo doente e cansada, continuo a não ter juízo nenhum.

Em breve, estará o Hamlet em cena também na Trindade. Macacos me mordam se desta vez não vou para a primeira fila para poder esticar os presuntos. Estendo o convite a quem queira acompanhar-me (BC, já assumo que terei a sua estimada companhia).
Também em breve, Júlio César no S. Luís. Também vou ver esta, inscrevam-se nos comentários.
Quem não perceber a lógica de eu juntar estas três peças, consulte por favor a Wikipédia, está a precisar de se cultivar um "quico".
E mais não digo (excepto que Macbeto é o nome carinhoso que lhe damos e não uma gralha).