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segunda-feira, novembro 10, 2008

A culpa é da morte

Salzburgo, Áustria



É preciso um cancro. A morte de um irmão ou de um amigo. Um choque brutal, uma coisa trágica, para perceber que o nosso tempo vai mesmo acabar. E é pena porque se tivéssemos olhado mais cedo para a morte teríamos sabido viver melhor. Freud e o seu séquito do sexo que vão dar uma curva. É do terror da morte que nascem as patologias. Teoria do psiquiatra americano Irvin D. Yalom, num livro 'De Olhos Fixos no Sol' e num debate a acompanhar.”

Texto de Cláudia Moura – Notícias Magazine de 9 de Novembro de 2008


Este artigo restaurou parcialmente a minha fé na psicologia.
Após alguns meses a ser seguida por um psicólogo, por ter passado um mau bocado quando o meu pai ficou doente, fiquei convencida que não havia esperança para as criaturinhas.
É que, apesar de repetidas vezes lhe falar no medo de perder o meu pai e do pavor de vir a morrer da doença que ele tem, o gajo só me falava de sexo, tudo era sexo.
O sexo é fundamental e pode explicar muitas situações, mas não faz o mundo girar. E a morte ainda é dos grandes tabus da nossa sociedade.
Sou capaz de comprar o livro do senhor e, se o fizer, esperem cá ver umas quantas citações.


PS:
Eu sabia que as fotos do cemitério iam servir para qualquer coisa...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Como bater na mulher


Podia falar da viagem de ontem, mas não me apetece. Não foi assim tão interessante.
Em vez disso, vou partilhar um vídeo que recebi no meu E-mail.
O assunto é importante porque acho que toda a gente deve saber como bater na mulher, sem violar as normas corânicas.
Podem ver o vídeo sem problemas, ao contrário do anterior, é só paleio e não tem imagens chocantes.
Eu sou pela paz, amor e tolerância, se bem que os últimos posts possam lançar dúvidas quanto a essa questão. Mas isto é um abuso, caraças. Falar em tolerância num caso destes é motivo de risota.
E pensar que este homem deve ser considerado moderado...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Notícia de última hora

Tremor de terra afecta Lisboa e o sul do país. O epicentro foi a 200 km mas atingiu seis graus na escala de Richter. Bolas, bolas.
Alguns adeptos rábidos do Não disseram que a fúria de Deus se abateria sobre Portugal se o Sim ganhasse. Será que temos motivo para ter medo? É que as áreas afectadas foram justamente zonas onde o Sim ganhou. Spooky...
O certo é que estou um bocado enervada porque aqui no meu gabinete abanou tudo, inclusivé eu e por uns bons 5 segundos.
E vem logo 1755 à memória. Um dia destes, é dia...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Morte por Karoshi

Mais um documentário que vi. No Japão morre-se por excesso de trabalho.
Chama-se à morte por excesso de trabalho Karoshi e afecta um grande número de pessoas por ano. Supõe-se que há Karoshi quando a pessoa morre, após estar ao trabalho sem folgas mais de quinze dias seguidos.
Para quem ache que isto é uma bizarria oriental, pense bem em quantos casos o trabalho diminui a nossa qualidade de vida e a nossa saúde. Talvez em Portugal não haja assim tantas mortes directamente ligadas ao excesso de trabalho, mas quantos acidentes de trabalho não são indirectamente provocados pelo cansaço extremo dos trabalhadores? Quantas pessoas não vivem o inferno no local de trabalho, que devia ser um sítio para nos expandirmos e darmos largas ao nosso talento? E quantas depressões e problemas mentais graves não são provocados por assédio moral dos empregadores e colegas?
Uma amiga minha disse que um colega se suicidou no local de trabalho. Era um trabalho monótono, fisica e mentalmente exigente e sem alternativas de mudança porque na região só existe aquela empresa. Escolha curiosa de local, tendo em conta que as pessoas normalmente se suicidam em casa. Acham que estaria a tentar fazer passar uma mensagem?
E nos EUA existe o fenómeno do "amoque" no local de trabalho. Existe pessoal que chega a um nível de saturação, pega numa arma e vai para o emprego limpar o sebo aos colegas. É o que se chama morte por excesso de trabalho do colega.
Como eu os compreendo... Mas não se preocupem, ainda não é desta que me vêem no telejornal. Espero eu...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Lactivismo ou exibicionismo?



A falta de assunto é assim, obriga-nos a repescar coisas antigas para haver matéria nova no blog.
Tinha pensado falar um pouco do Apocalypto, o novo filme do Mel Gibson, mas a Kruella no blog irmão já mais ou menos esgotou o tópico (podem ver aqui o que ela teve a dizer sobre o assunto, complementarizado pelo meu comentário http://kruella.blogspot.com/2007/01/apocalypto.html).
E pronto, vou debruçar-me sobre mais uma americanice, uma associação chamada Lactivists. Esta associação, maioritariamente constituída por senhoras (imagino eu), batem-se pelo direito de amamentar em público. Perguntam vocês, mas qual é o problema de amamentar em público? É a exposição da glândula mamária, respondo eu, que caso não saibam tem sido considerada orgão sexual mesmo nos casos em que não está a ser utilizada para esse tipo de actividade.
Pois, nos EU of A, uma mulher que exponha a mamoca para alimentar a sua criança, está sujeita a ser acusada de exibicionismo. Exagero dos nossos amigos ianques? Claro que sim, mas se não fosse exagero, não seria a América. Pois é, isto de não ter leis à séria tem problemas destes. Como nos EU of A, se baseiam sobretudo na jurisprudência, isso significa que se o primeiro Juiz a julgar a causa for um gajo com problemas com mamas, lá vai a pobre mãe para o xelindró, apenas porque tentou evitar que o puto deitasse a casa abaixo aos gritos.
Dada a quantidade de jovens mães que seguem aqui os meus devaneios, e a importância que esta questão possa ter para elas, devo dizer que a nossa lei não é clara (nem eu sou penalista, sendo o meu conhecimento da matéria limitado à mera leitura da lei, o que nem sempre chega). Diz apenas "quem importunar outra pessoa praticando actos de carácter exibicionista...). O que isto significa a meu ver é que, em público, pode tirar-se a mama para fora para alimentar um bebé, mas não com carácter de provocação sexual.
Estou a assumir que exibicionismo tanto é sacar de uma parte sexualmente relevante do nosso corpo para fora da roupa, como por exemplo, fingir que se está a dar uma queca com um candeeiro (sim, conheço, pelo menos, um caso de alguém que foi preso a fazer isto. Não, não foi cá, foi nos EU of A, onde mais?).
Como passei de lactação a exibicionismo, nem sei bem. Mas deixo mais uma dica a quem possa ter ficado interessado pelo assunto. Exibicionismo não se aconselha fora de portas porque dá um ano de cana ou multa e, no caso de ser frente a crianças, dá cana até 3 anos, sem multa.
Por isso, exibicionismo não é uma boa tara sexual. Arranjem antes uma tara que possa ser feita indoors e só com adultos. Poupa alguns embaraços e aborrecimento e têm tanto por onde escolher...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Dúvida existencial entre muitas...


Alguém me explica qual é o critério para a construção de paragens de autocarro neste país? Para proteger da chuva não deve ser, como comprovei hoje. Esteja a pessoa em que canto estiver da paragem, fica sempre molhada.
Não era tão giro que as coisas fossem criadas com o intuito não de serem bonitas (que no caso das paragens dos autocarros até não são), mas de serem práticas e cumprirem a função para a qual existem?

sexta-feira, novembro 24, 2006

É do Peru ou Viva os EUA Parte Dois



Parece que deixei passar uma efeméride. Aparentemente ontem festejou-se o Dia de Acção de Graças nos EUA. O que me chama à atenção não é o feriado em si, para isso consultem a Wikipedia, mas sim uma cerimónia que tem lugar recorrentemente, o Perdão do Peru.
Todos os anos, milhões de perus são mortos para servirem de jantar aos americanos nesta ocasião (e noutras também aparentemente). Por isso, achou-se por bem instituir uma cerimónia onde um dos exemplares da espécie é "amnistiado" e não vai parar ao tacho. Uma treta destas não lembrava ao careca e claro que tinha de ser made in USA.
Um pormenor importante é que o simpático peru ou a simpática perua não são amnistiados por uma pessoa qualquer. É o Presidente dos EUA, homem mais poderoso do mundo, que preside à cerimónia. Ora, desde que o George W. é presidente, este perdão tem dado lugar a cenas sempre caricatas, como a que ilustram as fotos. Aparentemente, os perus não acham muito piada ao senhor e tentam sempre atacá-lo (ingratos, pá). É possível que as fotos não sejam deste ano, a primeira não é certamente porque eu lembro-me de ver o vídeo na CNN há um ano ou dois. Infelizmente, este vídeo não está no Youtube, senão estaria aqui também.
Levantam-se dúvidas. Condição sine qua non para amnistia ou perdão é a prática de um ilícito. O que fizeram os perus então? Que crime praticaram? Acho que essa informação era mais importante que os nomes ridículos que lhes dão e que têm o cuidado de informar a imprensa.
Outra dúvida é o critério de escolha dos perus. Parece-me que os escolhidos são sempre branquinhos. Havendo perus pretos e castanhos (fui verificar no google por via das dúvidas, é o que dá ser uma mulher citadina), isto não pode deixar de se considerar racista. E até é de admirar, considerando que estamos a falar dos EUA, onde se barafusta por tudo e por nada, que tenham deixado passar este pormenor.
Resta-me dizer que o presidente é um homem de coragem. Sim, os perus não são conhecidos por serem os animais mais afáveis do mundo. Eu só me aproximaria de armadura.
Mesmo não sendo um feriado nosso, o que interessa a mesmo a festa, por isso, Happy Thanks Giving atrasada.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Pobre Tinky Winky ou a saga da cegueira religiosa


(O post de hoje é dedicado à aniversariante Kruella e ao seu rebento, A., apenas porque ela faz anos e prometi-lhe ontem que dedicava o post ao rapaz - sempre tem bonecos)

Calhou ontem lembrar-me do Tinky Winky, por causa do arranjo floral roxo que nos calhou no escritório esta semana. Podia ter-me lembrado de outras coisas roxas, mas lembrei-me desta.
Para quem não sabe, o Tinky Winky é o boneco que aparece na foto, um dos Teletubbies, programa para crianças da BBC, que já ganhou vários prémios.
Ora o que tem o Tinky Winky a ver com a cegueira religiosa?
Este pobre boneco inofensivo, um grande preferido das crianças, tornou-se famoso entre os adultos devido a um ataque de um líder religioso americano, Jerry Falwell. Esta criatura veio dizer que este boneco não era um bom modelo de conduta para as crianças porque era gay…
As palavras literais do senhor foram as seguintes: "He is purple - the gay-pride colour; and his antenna is shaped like a triangle - the gay-pride symbol." E com isto foi o pobre Tinky Winky arrancado do armário.
Será que bonecos têm preferência sexual? É uma teoria no mínimo discutível. E porque é que as pessoas assumem que o TW é macho? A mim, todos os Teletubbies me parecem bastante assexuados (à excepção da Laa Laa, não sei porquê, assumo que é fêmea, lá estão os preconceitos a funcionar, ninguém é imune).
Diz o reverendíssimo que o assunto vinha sido discutido há algum tempo em revistas gays (ricas leituras que fazemos, oh reverendo). Houve quem juntasse, este boneco é suspeito porque usa uma malinha.
O assunto foi extremamente badalado, o que é para admirar, tendo em conta que o reverendo já disse que o Super Rato incentivava as crianças ao uso de drogas porque cheirava uma flor num episódio (sim, de cheirar flores a snifar cocaína vai um passo, como todos sabemos). Também disse mais recentemente que parte da culpa dos atentados do 11 de Setembro era dos apoiantes do aborto, gays e lésbicas porque gozam com Deus (!?). Acho que a esta altura o pessoal lá dos EUA já devia ter percebido que não vale a pena dar tempo de antena ao cavalheiro em questão.
Mas vamos levar isto um passo mais à frente. Para mim, todos os Teletubbies são suspeitos. Sim, o Po (o vermelho) tem aquele círculo que na cabeça, que é muito duvidoso… E sendo vermelho, é comuna de certeza. Passamos à Laa Laa, com aquela cor, ninguém me tira que tem icterícia devido ao uso de drogas. E o Dipsy (o verde) tem um falo erecto na cabeça, é tarado.
Pronto, está a fotografia tirada, Teletubbies: um gay, um comuna, uma drogada e um tarado…
É o que dá levar a simbologia longe demais…

PS: Eu não tenho nenhuma obsessão com os Teletubbies e até tive de ir ver o nome de dois à net porque não sabia. Engracei com o Tinky Winky porque sou uma grande defensora dos oprimidos e injustiçados. Por isso, não comecem a usar a simbologia para me analisar a mim, pequenos, que é capaz de dar mau resultado…

quarta-feira, novembro 22, 2006

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA


Confirma-se que a moda criada nos Estados Unidos da América de usar certa erva aromática nos hamburgueres não pegou em Portugal (Vd. http://ocovildemissprecious.blogspot.com/2006/11/homo-omnivorus-ist-e-se-puder-comer.html)
Feita a experiência no Burger King do Campo Pequeno, verificou-se que o exemplar provado não continha qualquer vestígio de cannabis sativa. Experiência levada a cabo por advogada, devidamente observada por economista encartada.
Registo feito no presente blog para a subscritora do mesmo não ser acusada de dar falsas esperanças a hipotéticos clientes...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Viva os EUA


Agora assustei-vos, não foi? Se calhar pensam que vai sair daqui uma ode ou um elogio aos nossos amigos ianques. E parcialmente até vai.
Não gosto da política externa americana, mas aprecio muitas coisas nos nossos amigos amis (=americanos).
Gosto por exemplo de duas grandes invenções dos gajos: a Coca-cola e os hambúrgueres duplos com queijo. Já fiz uma ode à Coca-cola no blog Kruella (
http://kruella.blogspot.com/2006/10/gua-suja-do-capitalismo.html) e hei-de fazer uma ao hambúrguer duplo de queijo numa oportunidade próxima. Agora vou concentrar-me noutra coisa que me agrada nos amis, que é a litigância exagerada, os criminosos estúpidos e as histórias do arco-da-velha.
Sendo eu advogada, adoro sobretudo a parte da litigância. Não há pai para os amis no que toca a processar e levar as pessoas a tribunal. É o paraíso dos vampiros… digo advogados. Gosto sobretudo de processos estúpidos e sigo-os religiosamente no site da CNN. Exemplos serão o pessoal obeso que processa o Mac, o Taco Bell e outro restaurante de fast food, sob o pretexto que não sabiam que aquilo tinha assim tanta gordura senão não tinham ido lá jantar todos os dias… É um caso verídico. Ou o pessoal de um determinado Estado americano que processou um jornal por este dizer que naquele estado havia o maior nível de litigância dos USA (este também é verídico).
Criminosos estúpidos também é um tema fixe. Haveria vários exemplos a dar, mas vou-me guardando para as histórias que forem aparecendo.
Hoje vou debruçar-me sobre uma história do arco-da-velha que engloba litigância parva e criminosos estúpidos.
Imaginem vocês que o Burger King de uma pequena cidade do Novo México serviu hambúrgueres com erva (a Maria Joana, não a relva do jardim) a dois agentes da polícia. Primeiro comentário, se a moda pega, é desta que o Burger King ultrapassa o MacDonalds. Sim, não há minhoca que se aguente contra a velha Cannabis Sativa.
Ora, um cretino qualquer serviu os hambúrgueres mais condimentados que o costume a dois polícias (dupla - história do arco-da-velha e criminoso estúpido). Adivinhem o que aconteceu a seguir? Os dois agentes processaram a casa-mãe, Burger King Corp… Need I say more?
O Burger King não comenta, três funcionários do estabelecimento em questão foram presos e acusados de posse de marijuana ofensas corporais a um agente de autoridade (!?). Ena pá, grandes malucos.
Tive um professor da Universidade que dizia que os EUA eram a maior democracia do mundo, seguidos pelo Reino Unido. Não concordo nada devido ao poder judicial que, apesar de bem desenvolvido, se baseia muito no preconceito e em ter dinheiro para assegurar uma boa defesa. Para não falar no pequeno pormenor da pena de morte.
Haverá ainda muito para falar sobre este assunto, stay tuned.