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quarta-feira, outubro 28, 2009

Top três da Tunísia



Para acabarmos com a Tunísia, cá fica o top 3 da terra. Seja do ponto de vista fotos, seja do ponto de vista três melhores coisas da Tunísia.
A primeira é do veículo que nos levou ao oásis da montanha. Tem duas das coisas da lista, o deserto e as pessoas.
Este senhor, ao reparar que eu queria tirar uma foto à placa de "atenção, dromedários", avisou-me quando ia aparecer a próxima e abrandou para a foto ficar melhor. Obrigada, Sr. Motorista.




O terceiro melhor aspecto da Tunísia é a fauna.
Eu sei que não se deve incentivar o comércio à volta dos animais, mas a raposinha era linda, o ambiente surreal (lago salgado Chott el-Jerid) e o senhor fotogénico.
Não fosse a porra das chinelas de uma marca ocidental e a foto seria perfeita.
Em minha defesa, o animal parecia gordinho e bem tratado.




Mais uma de pessoas e fauna, aqui o Ali, nosso guia (a criaturinha mais poliglota com quem me deparei e uma jóia de moço) e o Djamel, o dromedário que montei em Douz (um animal que não me deu motivo para queixas).
E cá deixo mais uma citação sobre os adoráveis camelos, cortesia do Generatus: "Raquel distrusts camels, and anyone else who can go a week without a drink."

Pensando melhor, tendo em atenção que tenho ainda umas citações sobre camelos e que há que contar a verdadeira história do beijo ao dromedário, a Tunísia ainda não será um assunto encerrado neste blog, pelo menos, indirectamente...

sexta-feira, outubro 23, 2009

Variedades um pouco insólitas



É da praxe haver um jantar temático nestas andanças tunisinas.
É suposto mostrar-se algumas tradições da terra e o espectáculo andou um bocado à volta da dança do ventre.



Como os organizadores devem ter achado que a dança do ventre pura e dura era capaz de se tornar aborrecida ao fim de um tempo, tornaram-se criativos.
Assim, uma das actuações foi desta moça a tentar imitar um bolo de aniversário...



Também se achou piada às dançarinas do ventre borboletas, cada uma da sua cor.
Note-se que a dança era sempre a mesma, só a roupita mudava.




Mas giro, giro, foi a dança dos soldados gregos. Ninguém percebeu muito bem o que os moços estavam a fazer na Tunísia e porque as camisolas não tapavam a barriguita, mas foi um momento de elevado entretenimento.
Um insólito hilariante.




Mais um momento insólito foi ver as palmeiras com rodas tipo carrinho de mão a entrar na sala de espectáculos. A dança não era lá muito havaiana. Era qualquer coisa do género, "dancem lá como habitualmente, mas com saia de palha e palmeira e o pessoal pensará que é havaiano".



E o fim já parecia um bar de strip.
As pobres moças não tiveram ninguém para lhes pôr dinheiro no decote na minha mesa. Ainda pensei nisso, mas elas não tinham mealheiro ;)

quinta-feira, outubro 15, 2009

Comida da Tunísia



Ora, a tonta da escriba esqueceu-se de imortalizar o mais importante, Cuscus e um guisado que por lá se come muito. Na hora da larica, passa sempre qualquer coisa.
Isto são Kebabs, estou desconfiada que eram de borrego, porque não me estavam a saber lá muito bem.
A salada é recorrente, os nativos adoram courgette.




Mas o forte da comida do hotel eram mesmo os doces. Estes magníficos, ao almoço e jantar, fizeram as nossas delícias. Eram sempre variados e fantásticos.
Ao pequeno-almoço, ou não estivéssemos numa ex-colónia francesa, havia Croissants e Pain au Chocolat, sempre quentinhos.



É da praxe nestes pacotes turísticos haver um jantar de variedades. As variedades serão objecto de um texto à parte.
Isto é algo típico dos países árabes, mèzes. São entradas variadas, aqui não propriamente muito típicas, já que tínhamos lulas à sevilhana e chamuças. Mas eram boas, por isso, não tivemos reclamações a apresentar.



O prato principal era vaca estufada. Enquanto não se percebeu se era ou não borrego, ainda houve um certo frissom.
Entretanto, entraram as dançarinas e a maioria ficou no prato. Por isso, borrego ou não, não faria diferença.



Já a sobremesa era algo bastante incaracterístico, algo que se pode comer em qualquer tasca.
Ai, que saudades dos doces do hotel, parte um.



Também característico dos pacotes turísticos é um jantar num restaurante temático. Como a Mana é arraçada de esquisita, fomos ao italiano.
Os moços acertaram na massa, que estava agradável e até serviram porco, provando que não são fundamentalistas.


Já no Tiramisu a coisa correu mal.
Mas o Tiramisu deve ser a sobremesa italiana mais assassinado do mundo, por isso, os moços não estão sozinhos no lapso.
Ai que saudades dos doces do hotel, parte dois.


Mais uma coisa típica, dedos de Fátima. Sim, também se podem comer os dedos da filha do Profeta. A Fátima era uma moça versátil, a mão dá sorte, os dedos são comestíveis.
Isto é parecido com Briq, que é um triângulo frito e também outro ex-líbris da região.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Trogloditas


De Douz, não rezará a história, pois apenas vimos um parking de dromedários. E eu aposto que o assunto ainda não acabou aqui, mas noutra categoria.
A paisagem em redor do deserto é assim, muito castanha e com uma palmeirita aqui e ali.
Ora, aqui estamos em Matmata, outro local celebrizado pela Guerra das Estrelas. Concordamos com o Sr. Lucas, continuamos a pensar que estamos noutro planeta.


Aqui, a grande atracção são as casas trogloditas, habitadas pelo povo berbere.Aqui vemos a entrada de uma, há várias que se podem visitar mediante uns trocos.
Acima da entrada, são pintados símbolos para dar sorte, o peixito e a mão de Fátima. Fátima era a filha do profeta Maomé e cada um dos dedos representa os cinco pilares do Islão.


Estas casas são escavadas na rocha, com o intuito de dar às pessoas um lar abrigado do calor intenso que se faz sentir na região.
Confirmo que são bastante fresquinhas. Fiquei cheia de inveja, porque a minha casa é muito quente. Contudo, isto não dava para mim, como os tectos são baixos, havia de andar sempre com a cabeça rachada...

omo a maioria das casas na Tunísia, são pintadas de branco, penso também com o intuito de refrescar. Também têm um pátio central, característica comum à maioria dos países muçulmanos.
Todas as divisões dão para o pátio central e não têm ligação entre si. Esta casa tinha segundo andar, ao qual se acedia por uma corda, como podem ver exemplificado pelo moço que não teve amor à vida.


Esta é a sala de estar. Aqui o costume é sentar-se no chão, até porque as divisões não têm muita altura.
E pela exibição da bandeira da Tunísia, vemos que também esta minoria étnica é muito patriota.
Recomenda-se uma visita a uma destas casas, mas tenham em atenção que terão de arranjar um guia para vos levar e que terão de dar uma gorjeta aos habitantes. Fiquei com a ideia que era disto que a família vivia.

terça-feira, outubro 06, 2009

Nas portas do deserto



Ora a próxima paragem é Tozeur, uma das cidades que fica à porta do deserto.
Aqui a principal atracção é a Palmeraie, com 200 mil palmeiras em mais de 10 quilómetros quadrados. Basicamente é uma quinta de tamareiras, a segunda maior do país (isto sou eu a fazer batota e confirmar os factos no guia).




Uma maneira típica de visitar o ponto de atracção principal é em carroça puxada a pileca. No meu caso, carroça puxada a cadáver. Infelizmente, não fotografei o nosso pobre cadáver, mas ele tinha tão mau aspecto que impressionou até os outros turistas. A meio da visita, o “motorista” teve de ajudar o pobre animal a puxar a carroça.
O conselho para os próximos incautos a visitar a cidade, façam-no a pé, sobretudo, se são amantes dos animais.







Basicamente, nesta paragem, visitámos só a Palmeraie, apesar de haver outros pontos de interesse.
Aqui explicaram-nos como se incentivam as palmeiras a dar mais tâmaras e como se recolhem os frutos, uma vez maduros. Perante a expressão horrorizada de umas turistas espanholas ao ver o moço trepar à palmeira, o guia disse que não se preocupassem, que tinham outro moço, se este caísse…
Aqui a escriba provou uma tâmara e ficou capaz de repetir a experiência.





Na mesma zona de Tozeur, fica uma paisagem que nos faz perceber porque a guerra das estrelas foi filmada aqui. Uma das cenas foi aqui filmada.
Chott el-Jerid é um lago salgado, que devido ao calor, está seco a maior parte do ano.
É uma paisagem desoladora, mas bela na sua aridez.



Em alguns sítios, vêem-se umas poças de água com aspecto alienígena, que nos fazem desconfiar que estamos no planeta vermelho, em vez da nossa simpática Terra. E montes de sal estão por todo o lado.
Esta paisagem presta-se a miragens e olhando ao longe, parece que se vê a água, que em Agosto existe apenas em pequenas quantidades.
Digo eu que é capaz de ter piada ver com água no inverno. Qualquer dia, quem sabe.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Já no deserto...



A primeira localidade chama-se Chébicka, mas a Mana adora chamar-lhe Chewbacca ;)
É um oásis de montanha, que é natural, não criado pelo homem.
Há vários tipos de oásis, explicou o guia, contudo, talvez por estarem uns amenos 45º à sombra, a vossa escriba só decorou esta explicação.
Não é para me gabar, mas esta foto ficou ou não ficou gira?




Ora há na realidade duas Chébickas, a antiga, que está abandonada e da qual aqui se vêem as ruínas e a nova, onde vivem as pessoas.
Ocupação principal dos habitantes? Turismo e exploração de tamareiras.






Foi neste local que demos um agradável passeio, ao sol, às 15h30, com uma temperatura bem agradável… Para camelos.
Não houve baixas a reportar, mas foi por pouco.
A paisagem é impressionante, mais ainda quando o calor nos está a queimar as pestanas.




E lá se chega à fonte de água, que torna este local inóspito, um pouco menos inóspito.
A água não tinha um aspecto lá muito limpo, mas o calor era tanto que a maioria dos turistas não hesitou em refrescar-se. Sim, até a vossa escriba molhou as mãos.



E seguia-se Tamerza, que tem as cascatas que aqui são representadas pejadas de babuínos ;)
Basicamente, aqui toma-se banho (o que a vossa escriba não ousou fazer), tiram-se fotos (o que a vossa escriba fez com conta, peso e medida) e fazem-se compras (que a vossa escriba ainda pensou fazer, mas preferiu voltar para o ar condicionado do jipe).

segunda-feira, setembro 28, 2009

Uma cidade sagrada



Kairouan é a quarta cidade mais sagrada para o Islão, a seguir a Meca, Medina e Jerusalém. Aposto que não sabiam, eu também não sabia antes de pôr o pezito aqui (ou melhor, antes de ler o Lonely Planet).
Este é o minarete da Grande Mesquita, a mais antiga do norte de África e objectivo final de muitos peregrinos. A mesquita original era anterior ao nascimento de Cristo, mas foi reconstruída no século IX.
Foi aqui que o Islão começou a conquistar o norte de África.




Como a paragem aqui foi curta e mais uma vez não se podia visitar a sala de orações, contentei-me em entrar nesta loja, de cujo terraço se tinha uma boa vista do pátio central da mesquita. Como é regra na Tunísia, a porta é giríssima e tem imensos pormenores mimosos.




Isto não seria o blog desta vossa escriba se não tivesse uma fotografia de um cemitério.
Aqui, seria difícil escapar a este, pois está mesmo à porta da cidade e da mesquita principal e é especial. É um cemitério de homens santos.
E tem um bónus, um cartaz de propaganda com a tromba do presidente da Tunísia, Sr. Ben Ali, senhor que ocupa o poleiro, salvo erro desde 1987. Já ia sendo hora de cederes o lugar a outro, não, Sr. Ali?



Um dos pontos altos é a Medina, ou não estivéssemos numa país do Magreb.
Contudo, esta vossa escriba não a visitou por falta de tempo (a paragem aqui foi de 15 minutos). Por isso, ficam com um painel de azulejos que mostra a Medina e não com o original.


sexta-feira, setembro 18, 2009

Carthago delenda est



Ora, o que há a dizer sobre Cartago, local arqueológico mais famoso da Tunísia?
Uma potência do Mediterrâneo, fundada por Fenícios e envolvida nas Guerras Púnicas com os Romanos ainda antes do nascimento do nosso amigo JC.
No decurso das guerras, Catão, o Velho, disse inúmeras vezes no senado Romano a expressão que dá título ao post, Cartago deve ser destruída.


E Cartago foi mesmo destruída pelos Romanos no fim da terceira guerra púnica.
Mas veio a ser reconstruída inúmeras vezes, pelo que o local tem seis camadas de vestígios arqueológicos. A primeira foto é um mosaico romano.
Esta segunda julgo que mostra ruínas bizantinas, uma das potências que outrora ocuparam também o local.



Nos tempos Romanos, Cartago tornou-se o local mais in para os ricos dos ricos.
E ainda hoje é assim, é um bairro nos arredores de Túnis onde moram os famosos, os ricos e o presidente Ben Ali, cujo recinto do palácio presidencial aqui vêem.


Cartago é património mundial, assim declarado pela Unesco em 1979.
Parte do complexo são as espantosas termas de Antonino, que mostravam não só o grau de sofisticação dos antigos Romanos (umas termas de meter inveja a qualquer spa moderno), como o seu bom gosto na localização dos seus empreendimentos. Esta é a parte mais impressionante do complexo, do qual vimos uma pequena parte e num passo relativamente acelerado.
A paisagem aqui é divina.



Ruínas que se prezem têm calhaus em bardana. E Cartago tem mesmo muito calhau interessante para ver.
A visita recomenda-se vivamente, mas feita em moldes diferentes. Vão sozinhos, para poder explorar todos os calhaus com a atenção que eles merecem.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Uma cidade a azul e branco



Apresento Sidi Bou Said (tradução santo pai feliz), cidade nos arredores de Túnis, que é talvez a cidade mais mimosa da Tunísia.
Uma das características mais simpáticas da Tunísia são os edifícios brancos e Sidi Bou Said acrescenta mais um pormenor mimoso, o azul.
As janelas são azuis.





As portas, grades e placas das casas são azuis. Causa uma certa estranheza, uma vez que a cor do Islão é o verde e costuma ver-se muito de países muçulmanos.
Fica a dúvida do local onde foram os tunisinos roubar este belo tom de azul.
Acham que foi ao mar ou ao céu?

Estou convencida, pela vista da cidade, que os pormenores azuis afugentaram todas as outras cores.
Mas tenho de admitir que, à vista desarmada, é mais bonito que Malta, que pende mais para o amarelo, entre nós conotada como a cor do desespero...

Até os bancos são azuis. E não fosse alguma vegetação aqui e ali, não se veria o verde folha nem o rosa e vermelho das flores.
Mas nem só de azul e branco se faz o encanto da cidade. Os azulejos também dão um ar da sua graça.




Até as escadas dão um ar da sua graça, em azul e azulejo.
Programa a escrever no caderninho em caso de deslocação à Tunísia: beber um chá de menta com pinhões num café de Sidi Bou Said, com vista para o azul das casas e o azul do mar.

segunda-feira, setembro 14, 2009

O Areias é um camelo...



“Trust in Allah, but tie your camel.” (provérbio árabe)

“If the camel once gets his nose in a tent, his body will soon follow” (provérbio árabe)

“The last straw breaks the camel's back.” (provérbio inglês)

“It is easier to make a camel jump a ditch than to make a fool listen to reason.” (provérbio turco)

“No camel route is long, with good company” (provérbio turco)

“Either drive this camel to pasture or leave the country” (provérbio turco)

“The barking of a dog does not disturb the man on a camel” (provérbio egípcio)

“A camel standing amidst a flock of sheep.” (provérbio chinês)
(cortesia do Think quote)


Mais camelos/dromedários no Aqui e Ali, com um lindo verso sobre como distinguir um camelo de um dromedário.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Um museu catita



Uma das jóias culturais da Tunísia é o museu Bardo, situado nos arredores de Túnis.
Situa-se num palácio de um bey e o edifício em si é espantoso. Tem os tectos mais sumptuosos que já vi, dos quais aqui fica um exemplo.
Mas a colecção do Bardo é famosa mundialmente por outros motivos.




O ponto alto da colecção são os magníficos mosaicos romanos, que se contam entre os mais belos e perfeitos exemplares do mundo.
Retratam sobretudo cenas de caça, assunto a que os romanos achavam mais do que piada.



A mais perfeita peça da colecção é este mosaico de Virgílio, aqui retratado segurando a sua obra Eneida, ladeado pelas musas da História e Tragédia. É um mosaico completo e do mais perfeito que os Romanos produziram.
Perguntam vocês, porque estão aqui os mosaicos mais perfeitos do Império Romano? A Tunísia, após a queda de Cartago na terceira guerra púnica, ficou sob domínio Romano, tornando-se o celeiro de Roma.


Não só era a Tunísia o celeiro de Roma, como Cartago se tornou o local de veraneio dos ricos e famosos, pelo que se tornou o local mais aprazível para os artesãos que faziam os belos mosaicos. Assim, os melhores artistas vieram trabalhar para aqui e deixaram estas obras em diversos locais com ruínas romanas, como Cartago, Bulla Regia e Dougga. Daí foram retirados e reunidos neste museu.
Quem gostar de mosaicos, no Bardo vai julgar que morreu e foi para o céu.


A colecção do Bardo tem outras peças além dos mosaicos, como é o caso desta pia baptismal, que baptiza quatro ao mesmo tempo.

Altamente recomendado a quem visita a Tunísia, mas cuidado com o calor. Este museu não é user friendly em termos de temperatura e uma visita nas horas de pico do calor pode provocar mau estar. Mas a sério que vale a pena o desmaio.