quinta-feira, março 12, 2009

Leituras sobre a morte


“Acho que devemos enfrentar a morte como nos confrontamos com outros medos. Devíamos contemplar o nosso fim, familiarizarmo-nos com ele, dissecá-lo, analisá-lo, racionalizá-lo e eliminar as terríveis distorções criadas na infância relativamente à morte.
É preciso deixarmos de acreditar que a morte é demasiadamente dolorosa para ser tolerada, que os pensamentos irão destruir-nos, que a transiência e o efémero têm de ser negados para que a verdade não tire o significado à vida. Estas negações pagam um preço – reduzindo a nossa vida interior, desfocando a nossa visão e colocando obstáculos à nossa racionalidade. Por fim, a autodesilusão apanha-nos."

In “De olhos postos na morte” de Irvin D. Yalom


Lido que está este livro, que me parecia muito promissor, cheguei a algumas conclusões:

- O DN há-de tê-lo recomendado porque a tradutora foi sua directora de redacção.

- Um livro pode ser destruído pela tradução e este texto em especial é um exemplo disso. Têm no excerto duas pérolas que ilustram a minha opinião, vejam se as detectam.

- Quem tenha tido de lidar com a morte ou ameaça de morte de alguém próximo, recebe umas luzes e algum conforto desta leitura.

- Tem umas citações porreiras sobre a morte, que hei-de publicar aqui.

- Os psicólogos são totós ;)


Apesar disto, fiquei cheia de curiosidade de ler outro livro do mesmo autor, mas, desta feita, acho que optarei pelo original em inglês.

8 comentários:

velvetsatine disse...

O que significa transiência?

Sobre a morte li um interessantíssimo há anos chamado: Morte e Luto através das Culturas. Tenho-o algures por aqui e posso emprestar caso queiras acrescentá-lo à tua pilha de livros a ler. :D

Precious disse...

Suponho que seja algo análogo do efémero, mas não existe a palavra em português. "Demasiadamente" também é giro, devo dizer.
Hum, parece interessante e tinha a vantagem de não ocupar espaço cá em casa permanentemente. Ocuparia apenas "transientemente" ;)

velvetsatine disse...

Pois, algo do género. :D Suponho que uma palavra mais adequada fosse, por exemplo, transcendência ou, talvez, transitório.

Precious disse...

Acho que os tradutores queriam dizer transitoriedade. Aliás, o livro está pejado quer de palavras inglesas adaptadas indevidamente ao português, quer de palavras em inglês que não se traduziram.

velvetsatine disse...

Exacto, o substantivo transitoriedade faria mais sentido. Embora coloquem efémero que é um adjectivo e não o substantivo efemeridade. Faria mais sentido usarem dois substantivos ou dois adjectivos. Por exemplo, "que a transitoriedade e a efemeridade têm de ser negados" ou "que aquilo que é transitório e efémero tem de ser negado". Olha, sei lá.

Eu, pessoalmente, detesto o trabalho de tradução. A procura da palavra certa é demasiado desgastante, e há que dominar muitíssimo bem a língua materna para se fazer um trabalho de tradução em condições.

Aposto que os tradutores após a tradução do livro se lembraram de mil e uma formas diferentes de traduzir esta ou aquela palavra, esta ou aquela expressão.

Precious disse...

Eu traduzo nas horas vagas, mas em legendagem, que tem outros tipos de exigência, nomeadamente em termos de tempo de leitura.
Isto é um livro semi-técnico, que tem exigências de rigor maiores até que um livro de ficção.
A tradutora é a Isabel Stillwell que é inglesa, nem sei se a língua materna dela é o português.
Enfim, espero ler outro livro do senhor em inglês, para poder avaliar o potencial do mesmo. Não deu para ver.

Hannah disse...

Os tradutores são desgraçados, pah! Lá diziam os outros e com razão: traductori traditori.
Os especialistas em adaptações do inglês são os brasileiros, mas pelos vistos não há quem falte a fazer o mesmo neste nosso país.

Bom fim-de-semana!

Precious disse...

Pois, nem sempre se concorda com as traduções, mas agora há ferramentas muito úteis, como correctores ortográficos, que assinalariam as duas simpáticas palavras que não existem e são usadas neste texto...