quarta-feira, abril 25, 2007

O significado do 25 de Abril

Hoje festeja-se mais uma efeméride e achei que seria interessante ponderar um pouco sobre a questão.
Tenho a dizer que, sendo oriunda de uma família de direita, nunca foi uma data efusivamente festejada por estes lados. Estou talvez a meter-me na boca do lobo ao falar no assunto, tendo em conta a grande discussão que se gerou aquando da eleição como maior português do Sr. António Oliveira. Mas recordem-se que apenas tenho o bolso à direita, sendo certo que o coração bate à esquerda. Pelo menos, tenho quase a certeza disto.
Porque foi o 25 de Abril importante? Ou melhor porque foi imprescindível?
Obviamente porque pôs fim a uma ditadura, sistema pouco simpático que atropela esse valor mais elevado que é a liberdade. Claro que todos conhecemos pessoas que glorificam o antigo regime por causa do pormenor da segurança, que supostamente existia no tempo da antiga senhora. Se existia ou não, não sei, porque nasci depois desse tempo. Parece-me contudo um preço elevado a pagar pela supressão da liberdade.
Mas, para mim, a revolução teve o seu peso decisivo para outro valor superior, que é o da igualdade.
A revolução teve um importante contributo para a emancipação das mulheres. Em 1977, foi aprovada legislação que revolucionou o direito da família em Portugal, pondo em pé de igualdade marido e mulher e pai e mãe. Acabou-se com a pouca vergonha da distinção entre filhos legítimos e ilegítimos. Fora deste campo, deu-se o direito de voto às mulheres, tardiamente para os padrões europeus. E se há direito maltratado nestes tempos é mesmo este, que custou tanto a obter.
Universalizou-se verdadeiramente o ensino. Criou-se uma classe média que manda, por regra, os filhos para a universidade. As mulheres estudam também no superior e os seus números aumentam grandemente.
Antes do 25 de Abril, poderia eu como filha de família pobre estudar? Sim, eventualmente até ao liceu. E chegar à universidade? Seria improvável. E ser advogada? Impossível, porque a advocacia e magistratura estavam vedadas às mulheres.
E só por isto já valeu a pena fazer-se uma revolução.

terça-feira, abril 24, 2007

Knut e Leo


Hoje vamos continuar na maré de animais.
Esta é a capa da Vanity Fair, que se lembrou de fazer uma sessão fotográfica com a actual estrela pop da Alemanha, ursinho Knut e com o galã de Holywood, Leonardo diCaprio, a propósito do problema do aquecimento global. Consta que os dois modelos não estiveram juntos na mesma sessão.
O aquecimento global é um problema real, por muitos que algumas pessoas o neguem. Toda a publicidade que sirva para chamar a atenção das pessoas e fazê-las adoptar comportamentos "verdes" é boa. Se envolve ursos amorosos e gajos bons, melhor ainda.
Apesar do Leonardo estar mais composto e até participar actualmente em filmes bastante interessantes, ainda assim, prefiro o urso. E vocês?

Aviso à navegação

Anónimos não comentam neste blog, por isso, toca a arranjar algum tipo de identificação. Vou mudar os settings nesse sentido de modo a nem permitir deixar o comentário.
Outra coisa, se eu não admito que pessoal conhecido me falte ao respeito, muito menos o admito a desconhecidos ou anónimos. Por isso, se é para insultos ou ataques à minha pessoa, abstenham-se de aparecer no blog.
Este post vem na sequência de uma série de comentários que censurei. O blog é meu e quem impõe as regras sou eu. Quem não gostar das minhas opiniões ou das coisas que posto, não é obrigado a frequentar o covil.

segunda-feira, abril 23, 2007

Suricatas


Estou cheia de sono e não me apetece escrever. Logo, tomem suricatas que são aqueles bichinhos que parecem um grupo de portugueses quando há um acidente.

sexta-feira, abril 20, 2007

Eles "andem" aí

Estou a falar dos cidadãos geriátricos. Na cominação velhinho+transporte público, são particularmente perigosos. Este post vem na sequência do post velhinho+elevador do Kruella e post gajo de meia idade rebarbado+Hi5 da Lovely.
Ontem, no autocarro: estou eu carregadíssima e sentada no último assento. Chegam dois velhinhos, o que é sempre prenúncio de problema.
Primeiro, sentam-se colados a mim sem necessidade, numa clara violação do meu espaço pessoal. E depois um deles, armado em macho latino, começa a meter conversa comigo, a chamada conversa da treta: "Vens tão carregada? Vais de viagem?" Pensei, o geriátrico está tratar-me por tu, porquê? Deixei passar a primeira e ele voltou à carga. Virei-me para ele e perguntei-lhe porque me estava a tratar por tu. O tiranobroncossaurus negou que o estivesse a fazer e começou a falar mais alto para chamar a atenção de todo o autocarro. A partir daí, ignorei-o. Mas ainda mandou a boquinha quando se levantou para sair, teve como resposta o infinito porque não lhe liguei.
Porque acharão estas criaturas de 70 ou 80 anos que uma mulher de 30 sequer vai olhar para eles? Estão iludidos, coitadinhos. Porque não se metem com gente da idade deles? Tanta mulher mais velha a necessitar de atenção e tenho eu de levar com a rebarbadice deste gajo?
Podia ter sido pior porque podia ser exibicionista e tinha metido polícia e tudo, mas ainda assim dispensava a cena do D. Juan, versão pés para a cova.

quinta-feira, abril 19, 2007

The Man in Black

You can run on for a long time,
Run on for a long time,
Run on for a long time,
Sooner, or later, God'll cut you down.
Sooner, or later, God'll cut you down.

Go and tell that long tongue liar,
Go and tell that midnight rider,
Tell the rambiler, the gambler, the back biter,
Tell 'em that God's gonna cut 'em down.

Johnny Cash - God's gonna cut you down

Descobri a música do Johnny Cash graças ao filme e percebi que se trata daqueles artistas que transcende completamente um género. Há um lado negro nas letras que me agrada bastante.
Podia ter escolhido a versão que o Homem de Negro fez da canção dos Nine Inch Nails que é daqueles casos em que há dúvidas qual é melhor, o original ou o cover. Mas a verdade é que existe esta canção nova com um vídeo interessante e cheio de gente conhecida.

terça-feira, abril 17, 2007

Coca-cola, sua malandra



Se não sabem, ficam a saber, sou viciada em Coca-Cola. Ultimamente bebo-a todos os dias e só não tomo banho na substância porque ia ficar pegajenta.
Há uns tempinhos, escrevi até uma ode à minha bebida preferida:
http://kruella.blogspot.com/2006/10/gua-suja-do-capitalismo.html
Fiquei com os cabelos em pé quando vi esta publicidade. A minha querida Coca-Cola numa luta de almofadas com três sardinhas? A água suja do capitalismo no Jacuzzi com três peixes minorcas? Tenham a santa paciência. Coca-Cola a assistir ao pôr-do-sol com um cheeseburger, sim. Com uma pizza, também é aceitável. Até admito com Sushi, que é peixe, mas sexy. Agora sardinhas… Estou ferida de morte.
Coca-Cola, estás de castigo.

Para remissão dos meus pecados pelo post de ontem...


Tomem lá exemplos da diversidade religiosa na Croácia.
6 igrejas católicas e três templos de outras religiões. Podem divertir-se a assinalar nos comentários quais são quais.

segunda-feira, abril 16, 2007

sexta-feira, abril 13, 2007

O produto nacional é bom



No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
(Mão Morta - Cão da Morte)

Os Mão Morta já são uma instituição e devo confessar que gosto de algum material dos rapazes. Ou não fosse o Sr. Adolfo meu ilustre colega de profissão.
Este vídeo é excelente e tem uma versão alternativa à história clássica do Capuchinho Vermelho, aliás bastante mais interessante que a original.

quarta-feira, abril 11, 2007

Abrir horizontes



Viajar é mesmo um vício, no sentido em que certas pessoas não passam sem ele, sentem-se mal se não o fizerem e custa-lhes muito dinheiro. Confesso-me viciada. E é um vício ao qual não me importava de ceder mais.
Para mim, viajar é abrir horizontes, conhecer realidades diferentes da nossa. Aliás, apenas viajando uma pessoa sente, de facto, o país que visita. Porque aí se embrenha na cultura do local, ouve a língua e a música, vê os sítios a três dimensões, presencia os costumes e interage com os nativos.
Viajar é também aprender. Saber que há culturas diferentes das nossas e história que não nos tocou de perto, mas que teve muita importância para o mundo em que vivemos hoje.
Confesso-me apaixonada pela Europa, sobretudo pelo Leste. E numa altura em que o Leste católico está quase todo explorado, o próximo grande passo é o Leste Ortodoxo, mais exótico, fascinante e diferente de nós.
Na minha ainda curta vida, tive o privilégio de passar pelos seguintes sítios (nuns sítios mais privilégio que noutros):

Norte de Espanha e Badajoz
Paris e Bordéus
Londres
Amesterdão, Haia e Utrecht
Berlim, Potsdam, Colónia, Mannheim, Heidelberg, Coblenz, Mainz, Rothenburg, Nuremberga, Trier e outras da Alemanha (são muitas para enumerar)
Viena
Praga
Budapeste, Vizegrad e Szentendre
Bratislava
Zagreb e Dubrovnik
Ljubljana

PS: A foto é Dubrovnik aos quadradinhos, mais uma colagem da minha autoria.

ADN visual

Já não é a primeira vez que plagio o blog da Velvetsatine, mas ela arranja sempre uma coisas tão interessantes que não resisti. Dizem que a cópia é uma forma de homenagem e espero que seja vista assim.
Isto é o meu ADN visual, que acaba por explicar um pouco como sou. Tive alguma dificuldade em algumas escolhas porque me apetecia seleccionar mais do que uma opção.
Divirtam-se a fazer o vosso também e digam qualquer coisa nos comentários.

terça-feira, abril 10, 2007

Com a religião não se brinca...


Tendo em conta que acabámos de passar por uma época religiosamente relevante, acho que se justifica pormos aqui algo alusivo à religião.
Isto são excertos de testes sobre o Novo e Antigo Testamento respondidos por crianças de uma escola primária católica. As calinadas gramaticais são originais e não foram corrigidas, mas tirei as menos engraçadas. Não foi discriminada a proveniência, mas eu diria... EUA. Acham que tenho razão:

In the first book of the bible, Guinessis. God got tired of creating the world so he took the Sabbath off.

Adam and Eve were created from an apple tree. Noah's wife was Joan of Ark. Noah built and ark and the animals came on in pears.

Lots wife was a pillar of salt during the day, but a ball of fire during the night.

The Jews were a proud people and throughout history they had troe with unsympathetic genitals.

The Egyptians were all drowned in the dessert. Afterwards, Moses went up to mount cyanide to get the ten commandments.

Moses died before he ever reached Canada. Then Joshua led the Hebrews in the battle of Geritol.

The greatest miricle in the bible is when Joshua told his son to stand still and he obeyed him.

St. John the blacksmith dumped water on his head.

It was a miricle when Jesus rose from the dead and managed to get the tombstone off the entrance.

The people who followed the lord were called the 12 decibels.

One of the oppossums was St. Matthew who was also a taximan.

Christians have only one spouse. This is called monotony.

Tão crescido que ele está...


Já ando para postar isto há uns tempos, mas só agora se concretiza.
Já reparámos como o nosso Harry Potter já não é um menino e até tem uns abdominais muito trabalhados? Quem diria que aquele pequenino amoroso se ia transformar num adolescente bem apessoado.
A foto é da peça que o rapaz está a fazer e que tem causado grande clamor entre os paizinhos dos fãs do Harry Potter. Aparentemente, o rapaz despe-se e os paizinhos não querem que ele faça isso. Hello? Serei a única a ter reparado que a série Harry Potter já não é para crianças desde o livro 4? E que os livros 5 e 6 só têm tendência para serem ainda mais pesados?
Incrível como este tema atrai tanta cretinice, desde alegações que incentiva as crianças ao satanismo e bruxaria até esta parvoíce dos actores terem de ficar parados no tempo para não traumatizar as criancinhas. Tretas, é o que é.
Como muitas criancinhas, continuo ansiosamente à espera do último livro e do próximo filme. Em Junho já há novidades.

PS- Antes que me chamem pedófila, aviso que a idade de consentimento é 16 anos e o rapaz já tem 17.

segunda-feira, abril 09, 2007

Dança-se ou apanha-se tuberculose?



Ora bem, apesar de grande fã do canal alemão Viva, sou a primeira a admitir que passam muita coisa estranha, sobretudo do campo techno.
Para não fugir à tradição, durante a estadia em Dubrovnik, vimos uma dessas canções que não lembram ao careca. Certamente saberão quem são os Scooter, porque eles há muito que ultrapassaram a fronteira do mundo germanófono e até cantam normalmente em inglês.
Pois é, têm uma canção nova. O conceito do vídeo é baseado num conto do Edgar Allan Poe, penso eu, a Morte visitando um baile e até não é muito mau. A letra é... incomum, digamos: Lass es tanzen, oder ficken oder beides, denn morgen sind wir tot (dança-se, ou f***** ou as duas coisas, que amanhã estamos mortos). Isto quase era digno de Rammstein, temos de admitir.
Mas o que nos fez rir até às lágrimas foi mesmo o facto da palavra "F" ser substituída por tosse. Numa altura em que a censura não permitia perceber o que o louro preservado em formol dizia, a nossa melhor aposta ia para "Dança-se ou apanha-se tuberculose?"
Parece-me mal, rapazes, podiam ter-se esforçado mais e arranjado uma solução do tipo Prince (em Sexy MF) ou Madonna (em Erotica).
Ainda assim, ficam a saber o techno que se faz em alemão neste momento. Com tosse...

Os benditos recibos

A citação de hoje é novamente do “território comanche” do Arturo Pérez-Reverte, mas desta feita ilustra não a questão da guerra, mas a “picuice” de certas pessoas no que respeita a recibos. De vez em quando, não dá para pedir recibo e, de vez em quando, o boss lembra-se de chatear a molécula por causa disso. Se bem que não nas mesmas circunstâncias, sou solidária com a revolta do homem.
Cá vai:

-Que significa despesas várias, duzentos dólares?
- Significa precisamente despesas várias: umas gorjetas, uns litros de gasóleo, uns ovos no mercado negro…
- Não vejo a factura do gasóleo.
- É que há por lá uma guerra, não sabias? As pessoas não têm facturas, não têm nada.
- E essa dos ovos?
- Uma surpresa que quisemos fazer a Marquez no dia de anos…. Comprámos meia dúzia para lhe fazerem um bolo, e, em Sarajevo, cada ovo custa dez marcos alemães.
- Mil pesetas por cada ovo?
- Quase.
- Pois a televisão espanhola não lhes paga os ovos.
- És um c*****, Mário.
- E sou mesmo. Mas cumpro ordens. E a ordem é poupar, porque depois os chefes ouvem-nas boas no Parlamento… Dizes aqui: quarenta dólares por uma lata de gasóleo confiscada pelos sérvios. Não especificas em que circunstâncias e porque foi confiscada.
- Foi confiscada à pistola e porque há muito filho da p*** na Bósnia. Quase tantos como na televisão espanhola.

sábado, abril 07, 2007

Do Grande Silêncio aos 300


Que nunca se diga que não sou uma rapariga de gostos variados.
Ver no mesmo dia um filme alemão sobre a vida dos monges da Grand Chartreuse de Grenoble e o último grito de filme tecnológico, ultra-violento, não é para qualquer um.
“O Grande Silêncio” é um projecto antigo do realizador Philip Gröning, que há mais de uma década queria filmar os monges. Finalmente deram-lhe autorização, mediante condições rígidas, nomeadamente, não utilizar luz artifical. É um filme de quase três horas que se debruça nas actividades dos monges do mosteiro de Grenoble, de uma ordem com voto de silêncio, sem banda sonora e em que se fala apenas 5 minutos no filme todo. Não recomendo a toda a gente, dado o que acabei de dizer. Mas gostei da simplicidade da ideia.
“300” é um filme do realizador Zack Snyder, baseado numa novela gráfica de Frank Miller (sim, o senhor de Sin City). Visualmente impressionante, é ultra-violento, historicamente incorrecto e aparentemente ofensivo para os iranianos, que já estão a gritar sangue e ameaças.
Muito corpinho se vê no filme, um exagero de corpos bem feitos, mas também de aberrações. O guarda-roupa é do mais exagerado que se tem visto e o Rodrigo Santoro parece mesmo, como disse um crítico, “um gigante cheio de piercings, parecido com o porteiro de uma discoteca sado-maso gay”.
Apesar de tudo, é bom entretenimento, se bem que não para levar muito a sério.

quinta-feira, abril 05, 2007

A Páscoa pede coelhinhos...

Mau - Prick I Am

Por isso, levam com este vídeo com uma música um bocado manhosa. É o único vídeo que me lembro que tem um coelhinho. Aviso desde já que as pessoas susceptíveis não devem ver o vídeo, uma vez que a linguagem tende a ser um pouco desbragada e o coelhinho é um pouco... digamos... rebarbado. É uma pena os Rammstein ainda não terem um vídeo com coelhinhos da Páscoa... Tenho de mandar-lhes um mail com essa sugestão.

Boa Páscoa a todos!




Ele há com cada maluco...

Notícia de hoje do Total Rock:

"METALLICA NAME BATTLE
Swedish couple Michael and Karolina Tomaro are fighting a court battle with the country's tax authorities, and all because they want to call their new born daughter Metallica. Under Swedish law, every name has to meet official approval. And the tax office has objected, on the grounds that it's inappropriate."

Isto é levar o amor por uma banda longe demais, OK? Já pensaram no que a criança vai sofrer na escola?
Eu gosto muito dos Rammstein, mas nem ao meu cão dava esse nome. Quanto muito, podia chamar Till a um animal de estimação, mas isso é outra história...
Isto aliado ao facto de se ter sabido o outro dia que o Keith Richards snifou as cinzas do pai, está a começar a deixar-me convencida que já não há esperança para este mundo...

quarta-feira, abril 04, 2007

Literatura sobre a Guerra da Jugoslávia


Cá vão sugestões de leitura sobre a guerra da Jugoslávia.
A primeira já a citei aqui. Trata-se do livro cuja imagem indico e que explica muito bem as causas da guerra na Jugoslávia e menos bem as consequências, uma vez que a última actualização data de 1996 e muito se passou depois disso. O Misha Glenny foi jornalista da BBC, fonte que considero mais isenta que a maioria, e é das maiores autoridades sobre o assunto.
O outro livro chama-se “Território Comanche”. Arturo Pérez-Reverte, além de escritor de ficção, foi jornalista e enviado de guerra na antiga Jugoslávia. O livro apoia-se mais nas anedotas e vicissitudes dos jornalistas em guerras em geral, mas a acção passa-se na Bósnia, enquanto dois jornalistas aguardam para filmar a destruição da ponte de Bijelo Polje.
Curiosamente o livro fez-me rir por causa das anedotas de guerra, algumas são mesmo do arco da velha. A ver se posto uma dessas aqui.
Entretanto, acho mais educativo postar um excerto, explicando as razões da guerra:

Quanto aos Balcãs, explicara Barlés à futura concorrência (…), sempre foram zona de fronteira. Aqui se situou a linha de confrontação entre os impérios austro-húngaro e turco, e as populações de ambos os lados foram, durante séculos, verdugos e vítimas nas diversas tragédias que a História ofereceu. (…) Eram guerras à maneira clássica: represálias, povoações passadas a fio de espada, mulheres violadas, searas em chamas. Feridas que ainda sangram. Ao fim e ao cabo, há apenas cem anos Sarajevo ainda era turca. (…) Os bisavós dos que agora combatem esfaqueavam-se já em nome da Sublime Porta ou da Viena Imperial. A questão sérvia ateou a Primeira Guerra Mundial e, durante a Segunda, as atrocidades de Ustachis croatas, por um lado, e de Chetnicks sérvios, por outro, deixaram bem fresca uma tradição de agravos e sangue. (…) Por isso, os Balcãs entraram a escorrer sangue no século XX e entrarão da mesma maneira no século XXI, por muitas patranhas que nos conte o ministro Solana. O nacionalismo sérvio, todos esses intelectuais que agora pretendem lavar as mãos depois de parir criminosos como Milosevic e Karadzic, manipulou esses fantasmas para fazer frente aos que não queriam a guerra. E o chamado Ocidente, ou seja, vocês e eu, permitimos que assim fosse. Os métodos mais sujos foram postos em prática, perante a passividade cúmplice de uma Europa incapaz de dar um murro na mesa a tempo e travar a barbárie. Esta diplomacia europeia sem pudor e sem coragem, gratificando a agressão sérvia com a impunidade, acordando tarde demais, fez que primeiro croatas e depois muçulmanos bósnios embarcassem na limpeza étnica e na degolação. Já que a canalhice é rentável, disseram para consigo: sejamos canalhas em vez de vítimas a caminho do matadouro. Depois, a miserável condição humana disparou sozinha e fez o resto do trabalho, e assim vão as coisas. Acabo de resumir-vos o que se passa na Bósnia.

terça-feira, abril 03, 2007

Rapariga Vudu


Voodoo Girl

Her skin is white cloth
and she’s all sewn apart
and she has many pins
sticking out of her heart

She has a beautiful set
of hypno-disk eyes
the ones she uses
to hypnotize guys

She has many different zombies
who are deeply in her trance
She even has a zombie
who was originally from France

But she knows she has a curse on her
a curse she cannot win
For if somebody gets
too close to her

the pins stick farther in

(The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories – Tim Burton:
Recomenda-se vivamente)

segunda-feira, abril 02, 2007

1º balanço cinematográfico do ano


Chegados ao fim do primeiro trimestre do ano, importa fazer o balanço cinematográfico de 2007 até este momento. Vi os seguintes filmes por ordem cronológica:
Eragon
À Noite no Museu
Apocalypto
Scoop
A Vida dos Outros
Cartas de Iwo Jima
Diamante de Sangue
Pecados Íntimos
Hannibal Rising
Diário de um Escândalo
O Último Rei da Escócia

O melhor destes foi “A Vida dos Outros”, filme alemão que ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro e que retrata a vida de um inspector da Stasi e como este acaba por se envolver com o sujeito investigado.
Muito bons e altamente recomendados são também Apocalypto (não aconselhável a pessoas facilmente impressionáveis) e Diário de um Escândalo. Não indico nesta categoria o “Último Rei da Escócia” por eu começar a ter uma certa saturação de filmes sobre África, se bem que achei que este capturou bem a atmosfera dos anos 70.
Também não indico “Pecados Íntimos” por os últimos 15 minutos do filme me terem parecido demasiado moralistas.
Não há nenhum filme na lista que não valha a pena ver ou que entre na categoria “banhada total”, isto tendo em conta o género de cada filme e o que se pode esperar deles. Contudo, desiludi-me um pouco com o “Cartas de Iwo Jima”. A culpa é minha por ter as expectativas muito elevadas.
Na minha lista de prioridades próximas estão “O Labirinto do Fauno” e “O Véu Pintado”. Espero que não aconteça como o "Entre Inimigos", que desde o início quero ver e, por incrível que pareça, acabei por perder.